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Orgânicos por um mundo melhor

A engrenagem central da economia é a alimentação. A comida regula o mundo! E já que cada um cotidianamente “vota” por meio de suas compras, estamos engajados nesse segmento econômico como revolucionários alimentares. Já que as escolhas da população guiam as tendências da indústria, temos a responsabilidade de apoiar, com nosso poder de compra, as empresas que incentivem o bem comum. Hoje em dia, pagar mais pelo orgânico local é uma ação carregada de sentido, um ato que fala por si. Uma gota d’água inspiradora que participa significativamente da corrente da mudança.

É nosso poder de compra que mantém o produtor, o atacadista e o comerciante e os obriga a respeitar nossos valores. É possível nutrir a vida simplesmente com o poder de nossas escolhas.

Extraído de:

Essencial – a arte da gastronomia sem fogão, pág 14

David Côté e Mathieu Gallant

Maquiando a comida?

Estamos numa época de muitas possibilidades. A engenharia de alimentos evoluiu muito no século 20 e início do século 21. É possível mudar a cor, a consistência, o sabor e a durabilidade dos alimentos. É verdade que nossos antepassados já faziam isso tudo, mas estavam criando outra coisa. Hoje mudamos todos esses parâmetros para fazer um produto parecer como era na época de nossos avós. Estamos maquiando a comida?

Explico melhor. Suponha que você está no filme ‘de volta para o futuro’ e caiu em 1956. Aí você quer convencer seu filho a tomar leite. Você inclui uma banana ou coloca umas folhinhas de hortelã. Muda o sabor, a cor. Se for mais habilidoso e tiver tempo, procura num livro de receitas e vai atrás de uma transformação mais sofisticada. Você está criando outra coisa. E como os produtos a sua volta são naturais, o resultado ainda é natural.

Aí você consegue voltar ao presente. Vai ao mercado comprar leite e é muito curioso. Vai encontrar  variedade: leite de caixinha que dura alguns dias, leite com vitaminas, leite longa vida (que dura meses no seu estoque) e tem até um leite natural, que tem de ficar na geladeira senão pode estragar ou virar coalhada.

Já se perguntou que tipo e quantidade de conservantes são colocados no leite, de forma a poder ficar fora da geladeira sem estragar? Uma parte do processo de conservação “longa vida” corresponde à esterilização do leite, que mata os lactobacilos benéficos que leite de verdade tem. Teoricamente o leite ‘morto’ se conservaria sem aditivos, na caixinha. Acredite se quiser.

Conhece os nitritos, usados nos embutidos? São um veneno conhecido. Quem tem aquário sabe, pois os peixes morrem quando ele aparece. Hoje há conservantes nos embutidos, nos vinhos, nas geleias… esses produtos sempre existiram, conservante para quê? Na Grécia, se usava conservantes no vinho? E nas geleias? Não dá para entender porque alguém põe conservante na geleia, se o próprio processo de produção já garante a conservação. Vão estocar por 10 anos, ou o vidro não estava limpo?

De vez em quando um novo conservante artificial é condenado após ser usado por anos nos produtos. As pesquisas, para chegarem a conclusões sobre os malefícios de um produto químico podem demorar uma década ou duas.  Procure no Google por ‘conservante proibido’ e tire suas conclusões.

E porque precisamos comprar um produto com tanto tempo de durabilidade? É mais prático, certamente, mas vale a pena o risco?

Os corantes são outros candidatos a problema: Para deixar um produto mais bonito, e mais parecido com a cor que naturalmente deveria ter, coloca-se corantes naturais ou artificiais. Os corantes artificiais muitas vezes estão associados a alergias.

Em casa compramos gelatina com corantes naturais ou fazemos, com gelatina sem sabor e suco de maracujá, uva ou nossa calda de amoras. Felizmente ainda há opções.

Agora, sobre os aromatizantes. Se você compra um suco de laranja que ‘contém laranja’ mas é obrigado a colocar aromatizante, não é esquisito? Quanto de laranja de verdade tem nesse suco? Está escrito em letrinhas pequenas…

E ainda existem produtos que parecem uma coisa mas são outra. Uma vez fui ao mercado comprar requeijão. Acabei me enganando pelo preço em promoção e trouxe um produto que estava junto do requeijão, tinha o vidro de requeijão, a marca de requeijão, a cor, a espessura,… era uma “Especialidade láctea”. Não sei bem o que é isso, mas certamente não era meu requeijão. Até hoje ouço piadas em casa: ‘Não vou misturar minha geleia padrão europeu com sua especialidade láctea’. É melhor rir e engolir o sapo.

Bom, graças a Deus estamos vendo uma virada. Cada vez mais, por orientação médica, por conscientização, ou por outros tantos motivos, estão aparecendo produtos livres de agrotóxicos, livres de conservantes artificiais, sem corantes artificiais, orgânicos, de cara limpa.

Em minha opinião mesmo que tenhamos que pagar mais por esses produtos, vale a pena adquiri-los, porque é melhor gastar em comida hoje do que em remédio no futuro.

Arnaldo